A relação do servidor com a Administração Pública é regida por normas próprias, que variam conforme o ente, o cargo e o regime jurídico aplicável. Por isso, questões aparentemente semelhantes, como progressões, adicionais, gratificações, reenquadramentos, licenças ou diferenças remuneratórias, podem ter soluções distintas para servidores municipais, estaduais ou federais.
A análise normalmente começa pela reconstrução da vida funcional. Fichas funcionais, contracheques, atos de nomeação e enquadramento, portarias, avaliações, registros de progressão e legislação da carreira permitem verificar quais vantagens foram reconhecidas, quais deixaram de ser pagas e em que momento surgiu eventual diferença. Em demandas remuneratórias, também é importante identificar a forma de cálculo da verba e seus possíveis reflexos sobre outras parcelas da remuneração e, conforme o regime aplicável, sobre a aposentadoria.
Progressões, promoções e reenquadramentos exigem atenção aos requisitos previstos no plano de carreira e aos atos praticados pela própria Administração. Tempo de serviço, avaliações, titulação, exercício de determinadas funções e alterações legislativas podem interferir no direito discutido. Quando há pagamentos a menor por longos períodos, também é necessário examinar a prescrição e delimitar corretamente as parcelas que ainda podem ser exigidas.
Nos processos administrativos disciplinares, a atuação jurídica deve começar o quanto antes. A portaria de instauração, a definição dos fatos imputados, o acesso aos elementos de prova, a produção da defesa e o respeito ao contraditório e à ampla defesa podem influenciar diretamente o resultado do procedimento. Dependendo da situação, a discussão pode prosseguir também pela via judicial para questionar ilegalidades ocorridas no processo administrativo ou na sanção aplicada.
A atuação pode ocorrer ainda antes da judicialização, por meio de requerimentos e recursos administrativos destinados ao reconhecimento de direitos funcionais. Quando a Administração nega o pedido, deixa de apreciá-lo ou mantém uma situação contrária ao regime jurídico aplicável, é possível avaliar a medida judicial adequada para buscar o reconhecimento do direito e, quando cabível, o pagamento das diferenças correspondentes.